Linguagem como fonte de verdade
Todos os animais possuem linguagem, isto é, aquilo com o qual é possível a comunicação mútua entre a mesma espécie. A linguagem nasce da necessidade de sobrevivência. Este é o germe originário da linguagem. Mais tarde, porém a linguagem é extrapolada por uma espécie – homosapiens – e a comunicação passa a ser escamoteada: a linguagem passa a ser sinônimo de realidade, ou melhor, de verdade.
No início apontava-se para algo emitindo um ruído (uma “palavra”) informando a outrem; tal ruído, com o tempo, passava a ser sinônimo da própria coisa. Depois de um tempo as palavras, já bem mais elaboradas, ganham primazia sobre a própria coisa, pois mesmo sem as coisas podia-se referir-se a elas e porque enquanto as coisas iam o nome ficava.

Não há regra alguma para formação de uma palavra: junta-se letras ou ruídos aleatoriamente e, assim, tem-se as palavras. Seu valor se estabelecerá com o uso. Quando as palavras são formadas para expressar fenômenos ou sentimentos elas possuem respaldo, pois seu significado precede-as, isto é, possuem referentes reais, sensível. Porém, uma hora, palavras passaram a antecederem os fenômenos ou sentimentos e começa aí a ficarem vazias. Pois o que elas poderiam significar?

Como não há regras para a formação das palavras e com o raciocínio de que só é possível dizer o real, as palavras deixam de relatar fatos para criá-los. As palavras passam a antecederem os fatos e também a ficarem vazias de significados. Quando uma palavra é destituída de significado, ela aceita todos possíveis e mesmo assim continua intocável.